Mensagens

A mostrar mensagens de 2008

Adivinha...

Imagem
Por amar o vento trouxe-me.
Por amar cai
Por amar me feres.

Eu deveria ser a união do essencial e não passo da mísera criação das minhas próprias mãos. Uma espécie de aragem fria que se funde com os sons do mundo. Ando por aí a cantarolar, se tiveres olhos para me ver, em caminhos de terra batida, onde ninguém deseja passar em nenhum momento da sua existência. Sendo assim, apago toda a marca vergonhosa que revela a minha passagem por tal lugar, com o meu sopro calmo e paciente.
Por amar, magoaste-me, passo pelos teus ouvidos e sussurro-te ao sabor do meu ritmo, sorriu-te na beleza da minha ilusão sem rancor ao que me viu.
Dei-me ao abismo, à vertigem, ao colchão de palha e ao cobertor velho e roto… Por amar, por ser amada...
Podes ver-me, se tiveres alma, a beijar a areia na espuma das ondas e a recuar assustada, a rebentar violentamente contra o que me impede de entrar pelo Mundo dentro… e acabo por me ir, sem qualquer rancor. Continuo à porta, sentada na calçada, à espera.
Caminho tão calm…

Revolução

Imagem
Agarrei no lápis, uma mistura de nostalgia temporal com dor e saudade…

«Deitei-me cedo, deixei-me ficar envolvida no calor dos lençóis, até que tudo ficasse longe, até que o peso nos meus olhos fosse mais forte que eu. E assim sem esforço deixei-me vencer.
Era uma rua, em pedra mármore (coisa estranha) incrivelmente uniforme, enquanto tudo parecia baço o seu rosto aparecia-me com uma nitidez extraordinária. Não me lembro de quase nada. Apenas de uma alegria súbita após o abraço, após o beijo, após a distancia das coisas, após o fim. Quase que matei saudade:

Pois então, que o relógio ande para trás!
Que o sol gire à volta da Terra!
Que a Terra gire à volta da lua!
Que o Rei se curve perante os seus súbditos após tantos anos de obediência!
Que ninguém fuja dos problemas e medos!
Que sejam eles a fugir de nós!
Que as senhoras do lavadouro cantem a canção do cego mendigo que está na praça!
Que os sinos da igreja toquem tão alto, que o povo será obrigado a juntar-se nas ruas!
Que o silencio acabe!
Que…

Ele e Ela

Imagem
Deitados na areia, Ele e Ela sorriem para as estrelas. A água bate nas rochas calmamente…
Vai e volta… Parte, regressa…
Ele e Ela sorriem para as estrelas!
Eles partilham o silencio…
Eles brincam na escuridão…
Juntos, fizeram castelos na areia.
Juntos, deixaram que o vento os desabasse.
Tocaram no fundo do Oceano profundo…
Ele e Ela cortaram os cabelos.
Ele e Ela despiram as roupas e prometeram nunca mais serem iguais.
Ela deixou de ser igual a Ela!
Ele não foi mais igual a Ele!
Sorriem.
Partilham o silêncio.
Deram nomes às estrelas.
Inventaram o Pôr-do-sol.
Ela sorria para Ele timidamente!
Ele olhava para Ela pelo cantinho do olho.
Secretamente…
Ele e Ela descobriram-se.
Molharam a cara com a água salgada…
Caminharam entre as rochas, perdidos no Nada.
Deram a mão.
Aninharam-se na areia.
Revelaram segredos!
Ele poisou a mão na face Dela.
Ela poisou a mão nos seus lábios.
Ele e Ela encontraram-se!
Ela deixou de ser igual a Ela. Ele não foi mais igual a Ele.
Soltaram uma lágrima sobre o Mundo.
Com alivio de a ele já nã…

A Tela do Pintor

Imagem
Quando eu era pequenina, rompia da mão da minha mãe a correr pela praia fora, corria direita às gaivotas paradas na areia e não era um passo em falso que me fazia desistir... foi assim que me perdi. Agora os rebuçados têm outro sabor.
Quando o Pintor agarrou no pincel, prendeu a recordação, a memória, o cansaço de se ser pessoa, a saída da forma humana que alguém consegue mimar e dá cor ao desejo. E do vazio branco chega à grandeza do sonho. A realidade destroi a vida. Ali uma essência de mim se prendeu. Protegia, meu amigo! Cuida dela por mim, que eu não sei! Até que a sensação de perda me devolva o coração e o que desde cedo me levaram. Soltarei o grito que correrá o Mundo. Avanço e no caminho encontro o teu sorriso... O Pintor garrou no pincel e desenhou-o no vazio para mim. O Pintor apertou com força o seu pincel e desenhou o meu caminho. O Pintor apagou os charcos da minha estrada. O pintor fez-te perfeito ao meu lado. Contou-te os meus segredos baixinho e pintou-me a tua canção. O Pintor invent…

Carta: de Alguém para Alguém

Imagem
Tabacaria (...) Fiz de mim o que não soube, E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. (...)
Álvaro de Campos

O céu chorou. Hoje saí de casa, estava a chover, mesmo assim procurei-te por todas as ruas. Senti as gotas de água tocarem-me na pele, de um modo evasivo, até a roupa se colar ao meu corpo. Tínhamos andado em círculos, eu queria acabar com a sede de liberdade que as lágrimas do céu não conseguiam matar. Fomos unidos... Fomos unidos pelo não saber ser, pelo vazio que a palavra “Eu” tinha para nós. Pelo teu olhar que desde sempre fora frio, pelo meu coração que nem eu soube aquecer, tal…

Ninho

Imagem
O que está atrás da janela?
O despertar do dia.
O acordar...
Primeiro vem o sol e acorda a luz.
Desperta a vida, acorda a voz.
Observei, vezes sem conta, as pequenas frestas deixadas pela persiana, que a luz, curiosa, usou para penetrar no interior da escuridão.
Esperando o meu despertar.
Levanto-me do Ninho...
Com o Coro posto na minha janela, partem todos ao mesmo tempo, para as suas casas de palhinhas, sem deixarem de se fazer ouvir. Cada um para o seu lar... cada qual com o seu Ninho.
Há sempre aquele passarinho que fica no chão, esquecido.
Caminho na rua, perdida, concentrando-me nos sons de momentos a momentos. Resumindo-me a uma semente deixada por alguém, e deixo que o tempo me desafie a seu belo prazer.
Sento-me no banco do jardim, e fico à minha espera.
Hoje, perdi-me! Devo andar por aí com roupa cor de ar, devo ter um olhar vazio, a minha voz deve ser inaudível.
Olhei para todas as esquinas, olhei para todas as ruas e nunca me vi!
O que sou?
Não sou peixe! Não sou gato! Serei pássaro?
Vol…

Andando à chuva

Imagem
Não era na escola, não era no jardim. Não era feliz em mais lado nenhum... Era de noite e era naquelas conversas a que chamavas “Conversas de antes de dormir”. Conversas em que a aconchegavas com os cobertores, em que lhe falavas de coisas bonitas e em que ela pequenina e ingénua te falava de sonho.
Criança mas ainda assim sabia da tua luta contra ninguém, contra ti.
Sentavas-te na sua cama, espalhando lágrimas invisíveis pela tua face, insensíveis ao contacto com a tua pele. Tu tinhas o poder de fazer brilhar aquele rosto infantil, já quase adormecido. E isso fazia-te brilhar também.
Ao veres os olhinhos da menina fecharem, aguardavas ali, sem te mexeres, sentada na cama, envolvida por toda aquela fragilidade, tentaste encontrar o suspiro que nunca soubeste arrancar de ti, da alma e do teu corpo que se sentiam aprisionados. Deixavas-te vencer!
Levantaste-te, beijaste a menina que dormia e devagarinho apagaste as luzes, fechaste a porta branca com aquela meia-lua pintada de azul, deixando…

Laços

Imagem
Um pátio, um parque, uma lágrima, um sorriso... Aquele jogo desenhado no chão... a relva molhada. Sempre esteve lá... ainda está aqui... As mãos que se apertavam com a alegria e espontaneidade de se ser criança. As descobertas... O Horizonte que parava no olhar à espera de algo... A euforia de ir brincar com a lua, De ser criança... De crescer... O medo da escuridão, desperto pela noite... A procura do conforto. A procura da luz. Os segredos... O choro de um... O choro do outro... o choro dos dois. Carinho inesperado, Gestos ingénuos. A bicicleta, o vento a bater na cara. O lencinho, A alegria. O pião que girava... girava... Girava... Sem pensar nunca na mudança... A alma a transbordar de sentir. A roupa que já não serve. Mãos que se largaram lentamente. O romper do tiro que fez começar a corrida... Saindo do mesmo ponto de partida. Laços nunca rasgados... Vidas para sempre entrelaçadas, Seguindo apenas caminhos diferentes. Ansiando metas ainda distantes... Como o jogo marcado no chão, Como a relva molhada, Co…

Existes? Então pensa!

Imagem
Desgastante para ti... como o mar é para as rochas! Caminhámos! Caminhei de mãos dadas contigo, tão perto e tão longe de ti! Subimos montes, vivemos em vales, que eu insisti em inventar! Tão longe e tão perto do nada.
Uma canção de embalar nos lábios. Olhos de esmeralda, pintados a tinta de óleo para não terem medo da humidade provocada pelas lágrimas que deixas cair, para não se desbotarem com o tempo! Sais-te! Pergunto-me se alguma vez entraste! Sempre quiseste ir tocar na lua. No entanto, tens preguiça de atravessar a rua e ir conhecer o vizinho! Cá em baixo ainda ficou muito por conhecer! Sempre pensei que se começava pelo princípio. Sim. O essencial ainda está por descobrir. Ainda assim é incrível. Vencidos? Não! Heróis! Assim nos deixamos adormecer pelo calor humano, tão vital! Deixando por momentos que tome conta de tudo, entregando-nos ao sonho de nos irmos semeando. Chegaremos ao equilíbrio. Iremos ser nós a desenhar as feições, a traçar o carácter e a personalidade. Como uma folha em branco…

Grito Mudo

Imagem
Vai! É agora! Respira, agora podes respirar! Nada se pode impor no teu caminho! Liberta-te das correntes! Corre! É agora! Abre as janelas, refresca a alma, cai na fraqueza tão desejada! Deixa o vento correr por ti, ouve as suas histórias! Deixa-te voar... vá lá... só hoje, só um bocadinho... Fica um segredo só nosso! Agarra no lápis, deixa sair o coração, o sentimento tocar-te-á! E as palavras aparecerão! . Preciso de escrever, para rebentar de mim. Desabrochar o meu ser, desvendando a minha existência a alguém, ou até a mim própria! Levanto o véu, mostrando o que é impronunciável para a minha boca, deixando em palavras metades de mim mesma! E dou a voz ao silêncio! Mergulho em sonhos conhecidos por ninguém, que teimam em me fazer viver no limite da fronteira que separa a lucidez da loucura. Finjo que o céu perdeu toda a altura! E por momentos resumo-me a um mito considerado complexo em busca de algo que não sei se existe! Talvez seja por isso que lhe dão o nome de descoberta! Incessantemente aprendo a ve…

Refugio ou Engano?

Imagem
Quero tocar-te, porém, é impossível alcançar o invisível. Quero chegar-te no azul do dia, mas há barulho, há movimento, e tu estás no meio da multidão que não posso tocar. As minhas lágrimas quiseram conhecer o mundo, os meus ouvidos fizeram tudo para ouvir o teu coração. O Teu Coração. O meu corpo decidiu dizer “Olá” ao teu colo. Adormeci e vivi o teu sonho, parei o tempo com o meu simples querer.
. Existes! Não existes!
.
Vi nos teus olhos transparentes, tempestades e gritos de silêncio ensurdecedores, com a minha mão toquei o teu rosto invisível, senti a tua pele já quente, mas tão fria. Sinto-te sem te tocar.
.
Existes! Não existes!
. Mostraste-me um Mundo. Abriste-me portas. Conheci a voz e o calor! Cativaste-me sem nunca me conhecer. Desculpa, mas não vejo o invisível. Destruis-te sem mãos o mundo que me mostras-te! Outros momentos virão... Agora deixaste-me sozinha... Com a tua canção. . Existes! Não existes!
.
Vais quere-la de volta! Vais flutuar! Com um sorriso na cara! Com os teus olhos de água! Vais …

Meu Raio de Sol

Imagem
Ainda era dia, quase noite, era só ele que ia na estrada. As luzes da cidade, dos carros, dos prédios, dos centros comercias iluminavam as ruas, as pessoas, as mentes, tudo!
Mais um dia (quase noite) passado, sempre a olhar para tudo, a ver todos aqueles dias já passados, a sentir todas aquelas coisas já sentidas. Cada noite, um banco diferente, de um jardim diferente.
Mas ele nem sempre foi assim, nem sempre viveu na rua. Antes existiam sonhos. Antes havia aquela música
“You are my Sunshine”.
Aquela música que lhe aquecia o coração, cantada pela mãe, que o adorava mais que tudo, num tom de voz amoroso, que mesmo não a entendendo aquecia-lhe o coração, e assim deixava-se embalar com aquele ritmo lento e baixinho. Talvez a canção fosse uma súplica da mãe a Deus, para lhe proteger o seu filhote, porque nos tempos que correm amor só, não chega! Seja como for não lhe valeu de muito.
Parecia ser tudo tão pouco... e era tanto!
Depois vinha o dia seguinte. Livros na mão, mochila ás costas e um ra…

Corredor(a vida corre!)

Imagem
Era grande chato e comprido. E nele apenas caminhava uma criança inocente (que de criança só tinha mesmo a inocência) e uma criada velha que estava encarregue de levar a miúda até ao local desejado.
De pulso firme a criada agarrava a pequenita pelo ombro. Criança de poucas falas e de muita timidez mas nunca de má- educação!
A pequena sabia-o, ela sabia porque estava a caminhar naquele corredor, e sabia para onde a levavam.
Parecia não ter fim, aquela “estrada”. Havia porta dos dois os lados. Quando era ainda mais miúda, enroscava-se nos lençóis e fechava os olhos, á espera que alguma coisa sai-se de baixo da sua cama ou de dentro do seu guarda-roupa. Mas nunca saiu nada! E o medo foi desaparecendo e tudo teve um fim quando num momento de coragem abriu as portas do guarda-roupa e viu que não estava nada lá dentro... apenas ar.
Com o passar do tempo foi aprendendo que na vida há sempre portas por abrir, e ao serem abertas não se descobrem monstros, mas sim mais portas á espera de serem abert…

A Invenção do amor

Imagem
Em todas as esquinas da cidade nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho do medo da solidão da angústia um cartaz denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num bar de hotel numa tarde de chuva entre zunidos de conversa e inventaram o amor com caracter de urgência deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura e souberam entender-se sem palavras inúteis Apenas o silêncio A descoberta A estranheza de um sorriso natural e inesperado
Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta de um amor subitamente impe…

Sebastião

Ainda me lembro daquele dia, tinha apenas uns centímetros de cumprimento e não se cansava de girar sobre si mesmo. Deram-mo no dia em que completei os meus dez anos de idade. Lá vinha ele no aquário minúsculo e redondo, lá vinha ele, o meu peixinho vermelho.


Oh Sebastião! Maldito o dia em que tive de ir buscar o pão, naquela manhã de nevoeiro... Aposto que nunca me teria lembrado de tal nome!


È engraçado! Foram precisos quatro anos para eu prestar atenção, foi preciso estar sozinha naquele dia para ver “o outro lado”.



Estava ali o Sebastião, agora já maior, com um aquário enorme, rectangular, sozinho.
Pensei:

“Nunca deve ter saído do aquário!” Lógico!

“O rio? Ele não conhece o rio!” Claro que não!

“E o mar? Aquela imensidão bela!”


Comecei a sentir pena dele! Do meu Sebastião, que se divertia consigo mesmo, limitado por quatro míseras paredes de vidro, com apenas umas meias dúzias de litros de água, movimentava-se graciosamente, completamente alheio ao que estava por de trás das suas paredes t…

Eu e a vida

Imagem
Vagueei na solidão,
Procurei, andei sozinha
Quis encontrar razões,
Arranjar explicações,
Tanta vez em desalinho

Então a vida questiono-me:
“Estás mal comigo?”
Essa questão ensombrou-me,
E respondi:
“Já me roubas-te mais que um amigo!”

“Eu não te roubei nada,
Escuta bem a minha voz
Um amigo nunca morre,
Ele continua a viver
Para sempre dentro de nós”

Então olhei para ela magoada,
Por tudo o que me fez passar
Foi então que a entendi.
Lembrei-me das coisas boas que me deu,
E acabei por a abraçar.

Rita Oliveira
2006

Fazes parte de mim!

Imagem
Na noite escura, na casa escura, nas paredes encardidas...
Soltou-se carinho... parecia impossível!
Até as estrelas fugiram da escuridão...

Não me toques! Não te quero sentir!

Não fales! Não te quero ouvir!

Não quero que faças parte de mim!

Mas entretanto vi... a menina sentada ao teu colo, que apreciava os rastos de meiguice deixados pelos teus gestos, e a ternura no teu olhar brilhante, era nele onde todas aquelas estrelas se tinham refugiado.
E a menina sentada ao teu colo, que escutava todas as tuas histórias... como quem escuta um grande segredo... sonhadora, e rosto familiar.

O Tempo voltou para trás... o Tempo foi em frente, e ninguém me tira da cabeça que ele só não parou porque não podia!... por fim... levou as mãos aos olhos e... chorou!
O sofrimento do passado, a instabilidade do presente e a expectativa depositada no futuro...estava tudo ali!
Os pensamentos andavam amontoados.
As estrelas, curiosas, voltaram a descer dos céus mas desta vez, para tentarem perceber o que se passava cá …

O Rio

Imagem
Era uma vez uma grande vila, e uma casa muito bonita á entrada daquele grande paraíso que era o rio naquela altura... o rio... com a voz de criança. Uma casa bonita... porém um lar desfeito.
...o rio grita, com voz infantil.
Famílias juntas fisicamente... outras separadas pelas voltas da vida. Os machados? Esses são agarrados pelos escravos... sim, porque as gravatas são engordadas pelos Senhores.
...o rio chora.
Pessoas de rosto limpo e jovem são constantemente reconhecidas na rua. Pessoas de rosto triste de olhar rugoso já envelhecido pela vida são olhados com desdém...”afasta-te filho! Que o Homem é um gatuno!”, porém são os mais felizes!
Isto, claro, depende do que se entende por felicidade...
...o rio sorri baixinho. Sorriso inocente...
Tentar viver a vida que não se tem é morrer sem dar por isso. Vergonha? Sim, sim claro, estou de acordo!Vergonha de vocês próprios! E medo? Medo de que? Já no fim da vida ao olhar para trás, ao ver tudo o que se perdeu a troco de uma ilusão sem nome, irão …