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A mostrar mensagens de Dezembro, 2008

Adivinha...

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Por amar o vento trouxe-me.
Por amar cai
Por amar me feres.

Eu deveria ser a união do essencial e não passo da mísera criação das minhas próprias mãos. Uma espécie de aragem fria que se funde com os sons do mundo. Ando por aí a cantarolar, se tiveres olhos para me ver, em caminhos de terra batida, onde ninguém deseja passar em nenhum momento da sua existência. Sendo assim, apago toda a marca vergonhosa que revela a minha passagem por tal lugar, com o meu sopro calmo e paciente.
Por amar, magoaste-me, passo pelos teus ouvidos e sussurro-te ao sabor do meu ritmo, sorriu-te na beleza da minha ilusão sem rancor ao que me viu.
Dei-me ao abismo, à vertigem, ao colchão de palha e ao cobertor velho e roto… Por amar, por ser amada...
Podes ver-me, se tiveres alma, a beijar a areia na espuma das ondas e a recuar assustada, a rebentar violentamente contra o que me impede de entrar pelo Mundo dentro… e acabo por me ir, sem qualquer rancor. Continuo à porta, sentada na calçada, à espera.
Caminho tão calm…

Revolução

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Agarrei no lápis, uma mistura de nostalgia temporal com dor e saudade…

«Deitei-me cedo, deixei-me ficar envolvida no calor dos lençóis, até que tudo ficasse longe, até que o peso nos meus olhos fosse mais forte que eu. E assim sem esforço deixei-me vencer.
Era uma rua, em pedra mármore (coisa estranha) incrivelmente uniforme, enquanto tudo parecia baço o seu rosto aparecia-me com uma nitidez extraordinária. Não me lembro de quase nada. Apenas de uma alegria súbita após o abraço, após o beijo, após a distancia das coisas, após o fim. Quase que matei saudade:

Pois então, que o relógio ande para trás!
Que o sol gire à volta da Terra!
Que a Terra gire à volta da lua!
Que o Rei se curve perante os seus súbditos após tantos anos de obediência!
Que ninguém fuja dos problemas e medos!
Que sejam eles a fugir de nós!
Que as senhoras do lavadouro cantem a canção do cego mendigo que está na praça!
Que os sinos da igreja toquem tão alto, que o povo será obrigado a juntar-se nas ruas!
Que o silencio acabe!
Que…