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A mostrar mensagens de 2009

Grito

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Hoje queria falar...
Hoje, decidi que não me vou esconder atrás de metáforas, vou despir-me das palavras. Hoje, não me vou preocupar se transponho demasiado de mim nas linhas que se seguem… Hoje decidi ser honesta comigo própria e vou esquecer o vento Poético que quis ter sempre comigo. Hoje não quero mais deixar que aquele muro de Silêncio continue a sufocar-me e me afaste do Mundo que eu não consigo alcançar. Hoje, quero deixar de morder os lábios e usar todas as minhas forças para não deixar cair as lágrimas. Hoje não vou lutar contra mim. Hoje, vou dar voz ao meu corpo e não vou ser engolida por aquilo que já passou mas que insiste em estar presente. Hoje, recuso-me a tapar os ouvidos para abafar os gritos e as vozes. Hoje vou encara-las e olha-las nos olhos… Hoje vou reagir! Hoje, quero que deixe de ser monótono chorar até os olhos incharem e a pele me arder.
Hoje, deixei de me culpar pelas minhas feridas e pelos danos que as atitudes dos outros provocaram e mim.
Ontem, não sabia, mas hoje s…

Despertar

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Não é preciso dizer, ou perguntar. Sei que são poucos aqueles que nunca acordaram antes de o sol nascer, sei que são poucos aqueles que foram acordados por um desassossego, ou simplesmente porque assim calhou que fosse.

Ó sim, quantos não foram aqueles que acordaram antes de o amanhecer, que abriram os olhos depois de imagens tão cheias de felicidade tão perfeita, tão tocável e atingível que tornam ingénuos todos aqueles que não sabem que tal plenitude só se alcança de olhos fechados e que se vai embora com a noite?
Outros sabem que vale mais ser-se ingénuo, do que ter o peso de um sono temível, onde os fantasmas são corpóreos, de imagens feitas de sombras. De sombras mais escuras que a própria realidade.
E quantos não são os que acordam antes de o amanhecer, despertando de um sono tão transparente, tão puro e simples, tão cheio de nada, tão sem sensações, que nos faz sentir que o sono foi um simples intervalo e o acordar uma retoma?… Bem ditas sejam essas noites!

Ainda de olhos fechado…

Retrato (o apelo)

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Nunca o espelho lhe mostrara tal imagem





Ela sai todos os dias de casa, com o brilho de quem procura a plenitude. Uma pessoa normal, mas nem por isso banal, caminha rápido, fizeram-lhe os passos firmes e apertados, embora quem contempla-se a obra-prima com atenção percebe-se que estava longe de ser segura de si. Na cara, tinha ainda os olhos cansados e esse era o maior erro do artista, ainda tentaram mudar-lhes a cor uma vez, mas viram a tentativa inútil quando perceberam que não havia tinta, verniz e pincel que os fizesse brilhar… tinha um sorriso nos lábios, sorriso esse que lhe fora desenhado por alguém que achara que sorrir era uma necessidade urgente, a Salvação e tendo uma visão meio romântica da vida, Ela acreditava profundamente que quem lhe desenhara o sorriso o fez com amor.
A sua pele foi pintada de uma cor meio clara, meio escura, e quem a pintou sabia que o ideal era o transparente.
As mãos, que outrora foram calejadas, secas, ásperas, velhas e inchadas são agora pequeninas, …

Teresa

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Coimbra, 21 de Setembro de 1998



Querida Teresa:

O Inverno daqui, já se foi há muito, as folhas crescem nas árvores, os dias são grandes, tão pequenos, enormes e, passam quase à mesma velocidade com que os pássaros saiem dos ninhos, e partem, vindos de outro lugar que não este, de longe, bem longe, de onde os seus olhos gravaram imagens e as suas canções trazem historias, que reproduzem num canto arrebatador e incompreensível por vezes… Tem tudo estado como tu gostas, os dias são limpos, o mar, espelho do céu, vai e vem calmo, vai e vem de mansinho, como se não quisesse perturbar os pensamentos de quem se senta perdido na areia, ou de quem se deixa levar pela pequenez do seu Ser ao olhar a sua imensidão, vai e vem, quase silencioso, quase inaudível… Não vou até lá desde que te foste, há muito que a areia que piso não é a mesma areia fina e branca que eu tentava agarrar e escorregava entre os meus dedos. De manhã, quando acordo, a Natureza dá logo de si e os pássaros, aqueles que vieram de …

Incerteza

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Assisto atentamente à sua chegada e sinto vagarosamente o sangue a correr-me nas veias. Olha para mim, como quem não me vê e esconde-se algures entre a alma e o coração. Passa de relance… Depois, acalma… vem falar-me baixinho ao ouvido, a medo, toca-me como se não fosse propositado e aí, sim, é aí que flechas de fogo me queimam a pele todas as palavras são trocadas por silencio e sorrisos momentâneos, por olhares meigos e ternos, mas incertos, mas distantes… e de repente sou minúscula, alguém me aperta contra o peito por causa da ferida na alma que tanto dói. Olho pelo cantinho do olho e lá está outra vez, pronto para olhar através de mim, como se eu não soubesse o que traz escondido no peito e no olhar flamejante, como se eu não soubesse que está lá para assistir atentamente à minha chegada, que sente vagarosamente o sangue a correr-lhe nas veias. Pensa que o tempo criou o vazio, a distância e olha para trás para que o seu olhar se cruze com o meu em cada passo em frente que dá, mas insi…

Sopro de Loucura (a criança que fui)

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Há muito que o azul do céu fugira, era agora cinzento, triste, frio, violento e chuvoso, a relva estava húmida, eu conseguia senti-la bem debaixo dos meus pés descalços, a terra molhada enrolava-se à volta dos meus dedos como se quisesse que eu a levasse dali, o vento tocava-me nos cabelos que, uma vez por outra me vinham beijar os lábios.
Estava despida, despida e nada mais levava comigo a não ser eu, e caminho… Caminho e faço das nuvens e estradas de sonhos meus, na travessia entre a realidade e a ilusão que impera no meu ser e me encosta á loucura, ou a um suspiro profundo… Caminho como Ser Imperfeito, feito de Imperfeições, criado na Imperfeição e sim, tão Perfeito de tão Imperfeito que é, de tanta Imperfeição que tem, e Imperfeita enrolo-me sobre mim escondida do mundo, de olhos abertos, encostada à sombra da alma, mas caminho… Caminho debaixo de um céu cinzento, caminho em cima da relva húmida, caminho na terra molhada que se agarra aos meus pés, caminho despida… e o vento toca-me e…

Criança para Sempre!

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Qualquer criança tem, mais tarde ou mais cedo, alguém especial por perto. E esse alguém não é igual aos demais. Mistura-se a dor e alegria, um sorriso e uma lágrima, sensação q envolta num beijo alcança… ...a mais leve das levezas do ser, plenitude invejada por todos, que se vê, que não se toca… ...almas despidas do nada, nuas, ingénuas ao mesmo nível, força implacável derrubadora de montanhas, sorrisos cúmplices, luzes no começo do túnel, pureza inatingível, teu abraço protector, meu alivio que vagueia num suspiro…
Dor partilhada entre dois corpos, alegria procurada por duas almas, e um abraço apenas… Apenas um abraço… Anda, vem comigo, anda ser criança outra vez… E o teu “Eu” será a tua alma… Caçadora de Sonhos… Hoje não precisas de arranjar justificações, Hoje descobres, Hoje as coisas são simples, Hoje sentes. Hoje o sol brilha, porque brilha, Hoje o céu é azul, porque é azul, Hoje o teu coração bate, porque bate, Hoje, não precisas de saber mais nada para ser feliz, Hoje vives feliz em ilusões. …

Momentos de Poesia

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Eu explico-te:

Eu sou poeta quando digo que te quero!
Se digo que te quero… acredita!
Eu sou poeta quando te digo que sonho!
Também sonhas? Então também és Poeta.
(mas de olhos fechados não vale sim?)
Se em vez de te deixares vencer, consegues embelezar o monótono…és Poeta!
Se no Inverno sentires o cheiro do rebento das flores da Primavera…
Não, não estás senil, és mesmo Poeta!
Se acreditas em mim quando te digo que navego em mar sem água, a bordo de uma caravela sem velas, levada pelo vento do norte, do sul, do este, do oeste, do teu suspiro… és Poeta!

Achas-te criador…?
És Poeta.
Sofres? Então... Sofrer é Poesia!
Dás vida ao inanimado? És POETA!
Procuras? Encontras? Sorris? Choras? Magoas-te? Dói? Vais? Voltas? Achas-te insatisfeito? Mas satisfazes? Ainda não descobriste porque?
Não te preocupes, acontece… porque és Poeta.
Olha, queres que te ensine como se faz?
É simples, começas por tirar um bocadinho de monotonia ao tempo, olhas para o céu, vês para dentro de ti, se vires que ele é azul (sim, por…

Amar-te

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Amo-te como em dias de sol quente e não como em dias de nevoeiro.
Não te amo como se tivesse dentro de quatro paredes a prenderem-me a alma, mas sim como se fosse livre e dançasse como se ninguém me visse.
Amo-te com a mesma força do último crepúsculo de luz que insiste em aparecer no fim do dia e não como a escuridão que me penetra na mente e me sufoca as entranhas em dias de aperto. Amo-te não obstante do passado e criadora do futuro. Por ti apago-o, apago-o e inicio-me de novo numa espécie de folha em branco.
Mexe-lhe tu, escreve tu, deixo-me em ti…
Não seremos um só, seremos dois juntos e juntos seremos mais.

Que os teus dedos se entrelacem para sempre nos meus, que as rugas do tempo as apartem.

Amo-te com a mesma força com que o mar bate nas rochas gritando pela plenitude e ao mesmo tempo com a suavidade com que chega a areia.
Amo-te com a força da conquista que se impôs traiçoeira à minha alma e não pelo simples facto de querer.
Amo-te sem intenção…
Amo-te… olha, porque te amo.
Amo-te tão …

Sombra de Luz

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Rompe o sol pela janela do quarto escuro.
Desprendendo a noite que há muito queria ir.


Uma sombra de luz vem visitar-me, meiga.
Deitada na carpete, agarrando a mão de alguém que não mais iria sentir.
Estala o sino da igreja.
Poisou a mão em cima do teu ombro e tu nem viste.
Mandou o vento soprar-te na face para te libertar a alma.
Deu-te a mão para lhe mostrares o caminho.
Sentou-se no teu colo para a envolveres,
Escondeu a cara no teu pescoço,
Afagou as lágrimas angélicas, puras nos teus cabelos.
Mas teus braços, muralhas impenetráveis, não me envolveram,
Teu ombro forte foi fraquejando,
Teu colo deixou-me cair.
Na ingenuidade continuo a sorrir-te baixinho.
Dou-te a mão, tuas pernas não caminham ao meu lado.
Não cruzas caminho meu na tua Rosa.
Tua mão, nem quente, nem fria,
Tua mão, nem preta, nem branca,
Ar apenas.
Olhos a quem a minha alma insiste em dar voz de esperança.
Fundes-te com a sombra da luz.
Tua aragem não mais senti, nem sentirei,
Vento humano que por mim passou e que disso não passas.
Teu s…