Óh Senhor Deus!...



Peço desculpa, antes de tudo, pela forma leviana com que a ti me dirijo.
Peço desculpa pela forma rude, se assim a considerares, com que te toco, pois não é de todo minha intenção faltar-te ao respeito.
Mas é que há coisas que incomodam a minha alma, me provocam insónias e cada vez mais ganham vida no meio das sombras ao escurecer e esperam pela noite para me atacar sem qualquer piedade.
No primeiro dia disseste: «Faça-se luz!». E a luz apareceu.
No segundo dia criaste o céu e a água…
No terceiro dia fizeste o elemento árido, chamaste-lhe terra e assim criaste as plantas.
No quarto dia inventaste as estrelas, separas-te o dia da noite, o Outono da Primavera, a Primavera do Verão e o Verão do Inverno.
No quinto dia crias-te os pássaros e os peixes.
No sexto dia fizeste os outros animais e, por último, crias-te o Homem e disseste que este se havia de se voltar para ti…

Óh Senhor Deus, no fim de seis dias de trabalho, que acredito que foi árduo, que te fez ser merecedor de tanto mérito, no fim de provares que és possuidor de tamanha criatividade e puder, confesso que foi uma desilusão saber que no sétimo dia paraste, descansaste e contemplaste a tua brilhante criação.
Paraste, descansaste, contemplaste. Não o devias ter feito, em vez disso, devias ter inventado coisas como a protecção, a igualdade, a generosidade, a compaixão… amor…

Fizeste luz, no entanto, deixas o Mundo às escuras.
Há dias em que o céu é demasiado pequeno para mim… e a água não é suficiente para me matar a sede.
Há dias em que a terra me foge dos pés e as flores morrem nas minhas mãos.
Há dias em que não há estrelas no céu para iluminar o meu caminho e em que um frio interior me invade em plena Primavera.
Há dias em que o cantar dos pássaros não chega aos meus ouvidos…
E o Homem não se pode voltar para ti porque tu não te voltas para o Homem.

Não foram poucas as vezes que me deixei estar sentada no rebato, perdida de mim, à procura dos pedaços da minha alma, que me foram arrancados por alguém, e a deixar que o buraco negro dentro do meu peito me fosse engolindo aos poucos.
E onde estavas tu?
Não foram poucas as vezes que, sentada no rebato, esperei que viesses encher-me o peito dessa Fé de que todos falam. Hoje, porém, despida daquela inocência que não falta a uma criança, sei que não era por ti que esperava, mas sim pela protecção, pela esperança e pelo carinho, que tive de aprender a criar dentro de mim, porque tu passaste o sétimo dia a descansar, a contemplar, e não tiveste tempo para puder inventar estas coisas.

Óh Senhor Deus, um dia disseram-me que aos teus olhos somos todos iguais. No entanto, isso não foi, não é, nem nunca será verdade!
E onde estás tu?

Estás entre nós, mas não estás no meio de ninguém.
Fizeste um Mundo com meios e sem princípios…
E onde estás tu?

Falo para ti. Questiono-te. Respondes-me?
Não!
Deves estar ainda a contemplar a tua brilhante criação.
Se pudesse, convidar-te-ia a vê-la mais de perto, a juntares-te a ela, tenho a certeza que a criação brilhante perderia o brilho e que dela não te irias sem uma lágrima deitar.


Rita Oliveira
03/02/2010
Dedicado à Ana e às aulas de Geografia que passamos juntas x)

Comentários

Annie disse…
obrigada rititi...
*.* esta lindo
PÊ* Z. disse…
Ele é um pai nosso, nao ficou especado no 7º dia a ver-nos, mas sim para aprender o significado de viver! A verdadeira dor é dele por estar a ver-nos a aniquilarmo-nos a nos proprios, mas ele nao faz nada e sabes porque? porque no fundo nao passamos de umas crianças a fazer birra por outras terem tirado o chupa-chupa. Ele nao inventou nada em comparação ao mundo inteiro!Do mundo é que cresceu a coisa mais poderosa de todas, nao e uma arma nem e um animal, um sentimento, que é dito numa só palavra:


- amor

Pedro :)
Uí… que isto dá pano para mangas e o resto do fato.
Minha querida amiga, e permite-me que te trate assim depois daquele incidente meio estranho numa drogaria chamada “Dragão” onde existem os maiores fósforos que alguma vez vi… (as bebidas com gases fazem-me dispersar xD) .
Bem, é difícil para mim e sinceramente não sei bem no que acredito… tu como ninguém sabes que já acreditei, desacreditei, fui fiel, não respeitei…
Sinceramente não sei e é algo que queria saber.
Sobre o que tu falas, e ironicamente retratas, a questão de se dizer que Deus trabalhou arduamente 6 dias e depois ao 7 parou que tipo de Deus pode ser?
Metaforicamente falado:
- Não basta criar um texto para ele ser bonito
- não basta dizer a verdade
- Não basta ele ter sujeito, verbo e complementos para ser um bom texto.
“Eu gosto de ti princesa. És muito importante para mim e sem dúvida alguma que estás dentro de mim. Adoro-te”
Este pequeno texto, que também serve para te dar as boas noites e dizer o que sinto.
É verdade? Completamente. “Odeio-te” seria mentira.
É bonito? Só pelo que diz, os sentimentos que fala. “És feia” alem de ser mentira seria vergonhoso de dizer.
Tem tudo em ordem? Tem… podia dizer “ti eu de gosto” que não seria “correcto” de dizer.
Acho que percebeste, e agora voltando ao tema.
Não basta o que está dito para nos fazer acreditar nele.
E este mundo não nos serve, é ingrato, injusto.
Tu mesma o sabes, não sou eu que to vou dizer até porque não seria novidade Continente, e seria uma novidade trôpega a de que isto só está bem para quem comete o mal.
Lembraste obviamente de quando o Emi referiu que tinha medo de ficar com eles (alunos do básico) a nível de mentalidade, porque como estava rodeado dessa “verdade”… pela ordem de ideias este mundo que está maioritariamente imundo acabará por contagiar a minoria.
Que minoria? Nós.
Se Deus existisse teria vergonha do resultado, assim como nós temos quando temos uma negativa… acho que se Deus existisse punia os maus da fita em vez dos que praticam o bem… se Deus existisse tentaria melhorar.
De 0 a 20, que valor lhe atribuíamos?
Como a stora Olinda diz, para termos resultados não podemos parar, e não é so em 6 dias que as coisas vão ficar perfeitas…
Acho q me percebeste meu bem, amanhã falo ctg melhor sobre isto ou tentarei dar um comentário mais legível…
Adoro-te.

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