sexta-feira, 22 de março de 2013


Se um dia eu te disser, que fiz tuas as águas turvas,

Do rio que corre por entre os dedos da saudade,
Não creias que não trago no rosto,
pousadas as vertigens da lembrança,
Coisa vaga ou esboço de não sei quê,
O algo que cessa sem cessar…
Acredita antes que fui alguém
a querer os nadas que os demais evitam.
Que fui eu quem, entre os nadas, se fez alguém.
E recolhe a alma do veneno,
daqueles a quem o tudo não basta,
E que não entendem, como é que para ser feliz,
Eu precisei de tão pouco!

Rita Oliveira
11.02.2013

1 comentário:

Miguel Cruz - Projecto a Solo disse...

"Menos é mais", é o que se diz.
Em tão poucas palavras tu puseste uma força e um poder imensos neste poema, como só tu conseguirias fazer, de toda a gente que eu conheço, incluindo até a maioria dos escritores que eu conheço sem conhecer...
Tu viste bem o quão fascinado eu fiquei por este poema, pela sua dureza precisamente por causa da sua naturalidade na escrita...
Tem tudo, tal como tu tens tudo!
Continua, por favor, Rita!
Nunca desistas deste dom que tens, pois há quem desejaria imenso ter esse poder nas palavras!

Beijo,
M*