Na outra Pele

Allison Brady

Como gostava eu,
de acordar de manhã,
e vestir outra pele,
como se vestisse outra roupa.
Experimentar outra alma,
posar com ela em frente ao espelho,
para ver se me assenta bem na essência.
Nenhuma me cai em graça.
Faço sempre cara feia à imagem que me é devolvida.
Então, dispo-me.
E atiro-a para um canto.
Retomo à que deixei pousada nos meus sonhos durante o sono.
Aquela que cresceu comigo.
Que já me sabe vestir,
e usar.
Traz pequenos remendos em volta do peito,
aqueles que foram cosidos no fio das lágrimas.
Ah e como ainda trago os dedos dormentes, ò alma minha.
Que faço de ti agasalho.
Não, faço mais do que isso!
Eu escrevo-te,
e rescrevo-te vezes sem fim.
(pudesse eu ter sossego).
E quando os meus sentidos entram em sintonia,
bailando com as dores da curta vida,
tu, velha alma, elevas-te
e fazes de ti poesia. 


Rita Oliveira
30 de Agosto de 2011



Comentários

Miguel Cruz disse…
Bem, há muito tempo que não te deixo um comentário num texto teu. Acho que não tenho muito jeito para deixar comentários à altura! Mas neste eu tenho de deixar um comentário, esteja ou não à altura! Foi mesmo uma surpresa quando soube que tinhas sido tu a escrever. Até me vieram as tonturas =P Acho que está simplesmente de génio! Prende a leitura com aquele jogo que também José Gomes Ferreira faz de falar de aspectos sinistros de modo castiço, amoroso e aconchegado! Fiquei totalmente fascinado com estas palavras! Fabuloso, Ritinha! É para continuar!

Adoro-te <3
Miguel Cruz
David Sérvolo disse…
Salvo uma ou duas excepções que conheces, este, diria, foi o teu melhor texto desde que começaste a maravilhar-nos com estas preciosidades à 3 anos :)
Não querendo repetir o Miguel, mas não há outra palavra a não ser genial, para descrever esta maravilha.
Não penses nunca em mudar, porque esta és tu Rita, e és perfeita (apesar de saber que não acreditas nisso :b).
Continua o excelente trabalho, vamos cá estar sempre para te ouvir, e para te ler :)

Beijinhos, e claro, um grande "amo-te" <3 :)

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