Alma à vista




Costumam ver-me sozinha,
Trago um vestido transparente,
Cor-de-alma,
e ilusões na bainha.
Nessas margens onde já se implorou poesia
e se lavou a cara de medos,
Eu lá ando, trago a vida ao ombro,
suspensa na ponta dos dedos,
Um sabor a liberdade acaricia
os cabelos…
mas sem tempo de limpar os cantos da boca.
E venho com lágrimas, venho com versos,
e suspiros,
desenhados na minha pele nua,
Com uma verdade que ofusca
todos os que me vêem vaguear na rua.
E é pelos olhos que lhes oiço a voz rouca:
«Quem vive passeando-se na dor,
encurralando-se nos caminhos da amargura?»
Pois que nunca me largue essa Loucura!
que corre comigo nas margens dos sonhos,
e vem deslizar na terra húmida,
que os homens já não se atrevem a pisar.
Mas não, não é por isso que deixo de dançar,
nas margens do rio,
no silêncio e nos murmúrios, que me traz essa razão,
Que só aos esboços das minhas ilusões,
Eu sou o toque da realidade.
Não fui eu, não fui eu que me fui!
Sou eu quem vive essa verdade.
Enquanto sanidade não me impedir de viver.
Deixem-me, deixem-me na margem!
Eu quero estar à margem!
E silencio,
para dançar.

 «E é por ser duro o acordar,
que vou deixar de adormecer?»

Rita Oliveira
16 de Abril de 2012

Comentários

Desta vez li com muito mais atenção. Desta vez li, melhor dizendo... Li uma alma transparente, sem medo de transparecer a sua presença nas margens da Loucura (com a tua marca de a escrever com letra maiúscula). Se é dessa essência só tua de que é feita a tua Loucura, então peço que me concedas a honra desta dança, porque eu quero ser levado pela beleza do teu vestido cor-de-alma!

Dorme!

Beijo, M *

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