quinta-feira, 15 de maio de 2014

A Chuva


A chuva não se importa de cair,
pesada,
ou sem se sentir,
pelos caminhos do mundo.
Vem beijar o chão que os homens pisam.
Vem desfazer-se e correr,
com pressa de chegar,
a rios de ninguém.
Deixa-se morrer, quase sempre,
na margem.
Entranha-se pela terra,
numa ancoragem
efémera.
Dela nada tira, a ela tudo dá.
Vem para lavar a cara ao mundo,
e alimenta-lhe as raízes,
onde o olho humano não chega.
Para desaparecer a seguir.
E quando nasce o sol, ninguém diz
que por ali se viu vir,
águas do céu,
lágrimas de Deus.
Tal homem que se tomba morto
em guerra,
só existe para acrescentar mais pedaços à terra:
A chuva.

Rita Oliveira

1 comentário:

Miguel Cruz disse...

Sabes como adoro estas metáforas...
Tento sempre basear-me nelas para escrever os meus textos, mas agora fico a sentir-me arrebatado, tendo em conta que tu também as utilizas, mas muito melhor do que eu!
Adoro a chuva e muita gente não lhe dá o valor que ela tem... Vem lavar o Mundo que o Homem suja...

Beijos, continua assim, Rii **