sábado, 21 de março de 2015



Às vezes, eu opto pelo caminho mais longo,
quando vou para casa.
É mais bonita a vista do caminho mais longo.
O rio estende-se aos meus pés,
desde a alta da cidade,
e tem pequenas pérolas amarelas,
que brilham ao sol.
E as gaivotas guincham, voando para elas,
como se soubessem de alguma coisa que eu não sei.
Quando estou sozinha, eu escolho o caminho mais longo
para ir para casa.
Faço-o para sentir os pés na terra,
que é mais permanente do que eu
que é como quem diz: que não se finda comigo,
mas vou eu findar-me nela...
Eu gosto de ir para casa pelo caminho mais longo.
E não me importo se demoro mais tempo a chegar
ou se vou atrasada:
só quando vou pelo caminho mais longo é que tudo faz sentido
e as ordens do mundo entram em sintonia.
E eu faço esse caminho para me lembrar porque vale a pena viver.
E ter nascido.

Rita Fé


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