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A mostrar mensagens de Julho, 2008

Carta: de Alguém para Alguém

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Tabacaria (...) Fiz de mim o que não soube, E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo E vou escrever esta história para provar que sou sublime. (...)
Álvaro de Campos

O céu chorou. Hoje saí de casa, estava a chover, mesmo assim procurei-te por todas as ruas. Senti as gotas de água tocarem-me na pele, de um modo evasivo, até a roupa se colar ao meu corpo. Tínhamos andado em círculos, eu queria acabar com a sede de liberdade que as lágrimas do céu não conseguiam matar. Fomos unidos... Fomos unidos pelo não saber ser, pelo vazio que a palavra “Eu” tinha para nós. Pelo teu olhar que desde sempre fora frio, pelo meu coração que nem eu soube aquecer, tal…