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A mostrar mensagens de Maio, 2008

Andando à chuva

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Não era na escola, não era no jardim. Não era feliz em mais lado nenhum... Era de noite e era naquelas conversas a que chamavas “Conversas de antes de dormir”. Conversas em que a aconchegavas com os cobertores, em que lhe falavas de coisas bonitas e em que ela pequenina e ingénua te falava de sonho.
Criança mas ainda assim sabia da tua luta contra ninguém, contra ti.
Sentavas-te na sua cama, espalhando lágrimas invisíveis pela tua face, insensíveis ao contacto com a tua pele. Tu tinhas o poder de fazer brilhar aquele rosto infantil, já quase adormecido. E isso fazia-te brilhar também.
Ao veres os olhinhos da menina fecharem, aguardavas ali, sem te mexeres, sentada na cama, envolvida por toda aquela fragilidade, tentaste encontrar o suspiro que nunca soubeste arrancar de ti, da alma e do teu corpo que se sentiam aprisionados. Deixavas-te vencer!
Levantaste-te, beijaste a menina que dormia e devagarinho apagaste as luzes, fechaste a porta branca com aquela meia-lua pintada de azul, deixando…

Laços

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Um pátio, um parque, uma lágrima, um sorriso... Aquele jogo desenhado no chão... a relva molhada. Sempre esteve lá... ainda está aqui... As mãos que se apertavam com a alegria e espontaneidade de se ser criança. As descobertas... O Horizonte que parava no olhar à espera de algo... A euforia de ir brincar com a lua, De ser criança... De crescer... O medo da escuridão, desperto pela noite... A procura do conforto. A procura da luz. Os segredos... O choro de um... O choro do outro... o choro dos dois. Carinho inesperado, Gestos ingénuos. A bicicleta, o vento a bater na cara. O lencinho, A alegria. O pião que girava... girava... Girava... Sem pensar nunca na mudança... A alma a transbordar de sentir. A roupa que já não serve. Mãos que se largaram lentamente. O romper do tiro que fez começar a corrida... Saindo do mesmo ponto de partida. Laços nunca rasgados... Vidas para sempre entrelaçadas, Seguindo apenas caminhos diferentes. Ansiando metas ainda distantes... Como o jogo marcado no chão, Como a relva molhada, Co…

Existes? Então pensa!

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Desgastante para ti... como o mar é para as rochas! Caminhámos! Caminhei de mãos dadas contigo, tão perto e tão longe de ti! Subimos montes, vivemos em vales, que eu insisti em inventar! Tão longe e tão perto do nada.
Uma canção de embalar nos lábios. Olhos de esmeralda, pintados a tinta de óleo para não terem medo da humidade provocada pelas lágrimas que deixas cair, para não se desbotarem com o tempo! Sais-te! Pergunto-me se alguma vez entraste! Sempre quiseste ir tocar na lua. No entanto, tens preguiça de atravessar a rua e ir conhecer o vizinho! Cá em baixo ainda ficou muito por conhecer! Sempre pensei que se começava pelo princípio. Sim. O essencial ainda está por descobrir. Ainda assim é incrível. Vencidos? Não! Heróis! Assim nos deixamos adormecer pelo calor humano, tão vital! Deixando por momentos que tome conta de tudo, entregando-nos ao sonho de nos irmos semeando. Chegaremos ao equilíbrio. Iremos ser nós a desenhar as feições, a traçar o carácter e a personalidade. Como uma folha em branco…